Horta da Moura e a Oliveira
18/07/2015
Horta da Moura Boutique Hotel
No lado completamente oposto da região, existe um lago que faz fronteira entre Espanha e Portugal. É um dos maiores lagos artificiais da Europa, e é tão grande que atravessa cinco concelhos do Alentejo. Um deles é Reguengos de Monsaraz, que alberga uma pequena vila no topo de uma colina, Monsaraz.
Esta vila amuralhada poderia ter sido pintada no horizonte por Walt Disney. A sua existência é pouco conhecida fora do Alentejo, mas é um daqueles sítios que simboliza não só esta região, mas talvez Portugal no seu todo.
No entanto, o seu segredo mais bem guardado esconde-se a poucos quilómetros da cidade, na Horta da Moura, um hotel e restaurante rural que tem mais para oferecer do que boa comida e alojamentos confortáveis que, com a sua pintura azul e branca, se assemelham a uma típica quinta alentejana.
Ao passear pela propriedade da Horta da Moura, a visão de um burro a puxar um moinho de água deixa-me com a sensação de ter sido transportado para décadas atrás. Mas, dentro de momentos, sentir-me-ei ainda mais recuado no tempo.
Percorremos o caminho da propriedade, passando por baixo de limoeiros, por cebolas, tirando fotografias a canteiros de flores, até chegarmos a uma grande oliveira. Por baixo da árvore, de um lado, está uma placa e, do outro, uma mesa enfeitada com uma toalha vermelha e branca.
Existem várias oliveiras na propriedade, no que foi batizado de Caminho das Oliveiras, o percurso à volta da propriedade onde se encontram as oliveiras, mas esta é muito especial.
Se há algo que ainda está de pé no Alentejo e que já viu de tudo ao longo do tempo, é esta árvore. Tem quase 3.000 anos. E não é só isso, ainda está a produzir colheitas frutíferas.
Isto significa que a parte seguinte da tarde é a seguinte: Fico debaixo da árvore com 3.000 anos, mordisco azeitonas que vieram da própria árvore, como queijo fresco - queijo fresco do Alentejo, e bebo vinho branco produzido a partir de Antão Vaz e Arinto - duas castas que são únicas em Portugal e clássicas desta região.
Esta é realmente a abordagem “da quinta para a mesa”, é realmente o “KM 0″, mas tem vindo a acontecer aqui desde antes do mundo culinário ter cunhado estes termos.
Uma das muitas citações sobre os portugueses e a sua comida que o Ruben partilhou comigo nos últimos dias é que para os portugueses “comida é prazer”. Neste momento, estou definitivamente a senti-lo.
A sensação de ver o produtor (a árvore) com os meus olhos, tocar no produto (as azeitonas) com as minhas mãos e provar o ouro líquido (o azeite), tudo no mesmo momento, é algo que me sinto com sorte por poder experimentar.
Esqueça as garrafas de plástico de azeite refinado que se encontram nas prateleiras do supermercado local ou o facto de puxar a tampa de uma lata de azeitonas produzidas comercialmente. Este é o verdadeiro negócio. Esta é a vida real.
Fonte: ROADLESSFORKED